Meditação diária de Falar com Deus, Francisco Fernández Carvajal
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Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2017 





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Meditação diária de Falar com Deus

TEMPO COMUM. SÉTIMA SEMANA. SEGUNDA-FEIRA

55. IMPLORAR MAIS FÉ

– A fé é um dom de Deus.

– Necessidade de boas disposições para crer.

– Fé e oração. Pedir fé.

I. JESUS CHEGOU A UM LUGAR onde os seus discípulos o aguardavam. Encontravam-se também ali um grupo de escribas, uma grande multidão e um pai que tinha levado consigo um filho doente. Ao verem aparecer Jesus, encheram-se de alegria e foram ao seu encontro: Toda a multidão ficou surpreendida, e, correndo para Ele, saudavam-no1. Todos sentiam falta dEle. O pai avança então e dirige-se ao Senhor: Mestre, trouxe-te o meu filho, que tem um espírito mudo [...]. Pedi aos teus discípulos que o expulsassem, mas eles não puderam.

Esse pai tinha uma fé deficiente; tinha alguma, sem dúvida, pois fora à procura de Jesus, mas não a fé plena, a confiança sem limites que Jesus pedia e pede. As palavras com que se dirige a Cristo são humildes, mas hesitantes: Se podes alguma coisa, ajuda-nos, tem compaixão de nós. E Jesus, conhecendo as perplexidades daquela alma, antecipa-se: Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê.

“Tudo é possível: onipotentes! Mas com fé. Aquele homem sente que a sua fé vacila, teme que essa escassez de confiança impeça que o seu filho recupere a saúde. E chora. Oxalá não nos envergonhemos desse pranto: é fruto do amor de Deus, da oração contrita, da humildade. E o pai do rapaz, banhado em lágrimas, exclamou: Eu creio, Senhor, mas ajuda a minha incredulidade (Mc 9, 23)”2. Que grande ato de fé para o repetirmos muitas vezes! Jesus, eu creio, mas imprime mais firmeza à minha fé! Ensina-me a acompanhá-la com obras, a chorar os meus pecados, a confiar no teu poder e na tua misericórdia!

A fé é um dom divino; só Deus pode infundi-la mais e mais na alma. É Ele quem abre o coração do fiel para que receba a luz sobrenatural, e por isso devemos implorá-la. Mas, ao mesmo tempo, é necessária uma disposição interna de humildade, de limpeza, de abertura, de amor, que abre caminho a uma segurança cada vez maior. Abrir os olhos – comenta São João Crisóstomo – é coisa de Deus, escutar atentamente é coisa nossa; a fé é simultaneamente obra divina e obra humana3.

Se alguma vez a nossa fé vacila diante das dificuldades, ou se vacila a fé dos nossos amigos, irmãos, filhos..., imitemos este bom pai na sua humildade: não tem méritos próprios a apresentar, nem mesmo uma fé sólida, e por isso abandona-se à misericórdia divina: Ajuda-nos, Senhor, tem compaixão de nós. Este é o caminho seguro que toda a oração deve seguir. A humildade, aliada à pureza de alma e à abertura de coração para a verdade, dá-nos a capacidade de receber esse dom que Jesus nunca nega. Se a semente da graça por vezes não prospera, é unicamente porque não encontra a terra preparada. Senhor, vem em ajuda da minha incredulidade!, pedimos-lhe na intimidade da nossa oração. Não permitas que vacile nunca a minha confiança em Ti!

II. O QUE FOI QUE VIRAM em Jesus aqueles que se cruzaram com Ele pelos caminhos e aldeias? Viram aquilo que as suas disposições interiores lhes permitiam ver. Se tivessem podido ver Jesus através dos olhos de sua Mãe! Que horizontes! E que pequenez a de muitos fariseus que andavam com aquelas questiúnculas a respeito da Lei...! Nem sequer nos milagres souberam descobrir o Messias! E o conhecimento que tinham das Escrituras não lhes serviu para perceber que em Jesus se cumpria tudo o que se havia predito sobre o Esperado das nações.

Do mesmo modo, muitos outros contemporâneos de Jesus se negaram a crer nEle porque não tinham o coração bom, porque as suas obras não eram retas, porque não amavam a Deus nem tinham boa vontade: A minha doutrina não é minha – diria o Senhor –, mas dAquele que me enviou. Quem quiser fazer a vontade dEle saberá se a minha doutrina é de Deus ou se falo de mim4. Não tiveram as disposições adequadas, não procuravam a honra de Deus, mas a deles próprios5. Numa palavra, não apenas não possuíam a Deus como Pai em seus corações, mas tinham “o diabo por pai”, porque as suas obras não eram boas, como não o eram os seus sentimentos nem as suas intenções6. Nem sequer os milagres podem substituir as necessárias disposições interiores.

“Deus deixa-se ver por aqueles que são capazes de vê-lo por terem os olhos da alma abertos. Porque a verdade é que todos têm olhos, mas alguns têm-nos cobertos de trevas e não podem ver a luz do Sol. E a luz solar não deixa de brilhar por haver cegos que não vêem; e portanto a escuridão que os envolve deve-se atribuir unicamente à sua falta de capacidade de ver”7. Devemos ter em conta – para nós mesmos e na nossa ação apostólica – que, não raras vezes, o grande obstáculo para que se aceite a fé ou uma vida cristã coerente são os pecados pessoais não perdoados, os afetos desordenados e as faltas de correspondência à graça. “O homem, levado pelos seus preconceitos ou instigado pelas suas paixões e pela má vontade, pode não só negar a evidência dos sinais externos que tem diante dos olhos, mas também resistir e afastar as inspirações superiores que Deus infunde na sua alma”8.

Quando falta o desejo de crer e de cumprir a vontade de Deus em tudo, custe o que custar, não se aceita nem mesmo o que é evidente. Por isso, quem vive encerrado no seu egoísmo, quem só busca a sua comodidade ou prazer, terá muita dificuldade em crer ou em entender um ideal nobre; e, se for alguém que respondeu positivamente a uma vocação de entrega a Deus, encontrará dentro de si uma resistência crescente perante as exigências concretas da chamada divina.

A Confissão sincera e contrita apresenta-se então como o grande meio de encontrar ou robustecer o caminho da fé, a luz interior necessária para ver o que Deus pede. Quando uma pessoa purifica e limpa o seu coração, fica já com o terreno preparado para que a semente da fé e da generosidade cresça na sua alma e dê frutos. É da experiência comum que muitos problemas e dúvidas terminam com uma boa confissão; a alma vê com tanto maior clareza quanto mais limpa estiver e quanto melhores forem as disposições da sua vontade.

III. AO PEDIR A CURA DO FILHO, o pai disse a Jesus que já se dirigira aos seus discípulos, mas sem resultado: Pedi aos teus discípulos que o expulsassem (o demônio mudo), mas eles não puderam. Os discípulos sentiram-se um pouco abalados por não terem conseguido eles próprios curar o jovem lunático, pois quando entraram em casa e puderam estar a sós com o Senhor, perguntaram-lhe: Por que não pudemos expulsá-lo? E o Senhor deu-lhes uma resposta de grande utilidade também para nós. Disse-lhes: Esta espécie (de demônios) não pode ser expulsa por nenhum meio, a não ser pela oração.

Só por meio da oração é que conseguiremos vencer determinados obstáculos, superar tentações e ajudar muitos amigos a chegarem a Cristo. Comentando esta passagem do Evangelho, São Beda explica que, ao ensinar aos Apóstolos como devia ser expulso um demônio tão maligno, Jesus nos indicava como devemos viver, e como a oração é o meio de vencermos até as maiores tentações. E acrescenta que a oração não consiste apenas nas palavras com que invocamos a misericórdia divina, mas também em tudo o que fazemos em favor de Nosso Senhor, movidos pela fé9. Todo o nosso trabalho e todas as nossas obras devem ser, pois, oração transbordante de fé.

Peçamos a Deus com freqüência que no-la aumente. Quando na ação apostólica os frutos demorarem a chegar, quando os defeitos pessoais ou alheios parecerem uma muralha intransponível, quando nos virmos com poucas forças para aquilo que Deus quer de nós: Senhor, aumenta-nos a fé! Os Apóstolos pediam assim quando, apesar de verem e ouvirem o próprio Cristo, sentiam a sua confiança fraquejar.

Jesus ajuda sempre. Ao longo do dia de hoje, e sempre, sentiremos a necessidade de dizer: “Senhor, não me deixeis somente com as minhas forças, que eu não posso nada!”

A petição daquele bom pai anima-nos a suplicar hoje a Jesus uma fé capaz de transportar montanhas. “Dizemos agora ao Senhor o mesmo, com as mesmas palavras, ao acabarmos este tempo de meditação: Senhor, eu creio! Eduquei-me na tua fé, decidi seguir-te de perto. Ao longo da minha vida, implorei repetidamente a tua misericórdia. E, repetidas vezes também, pareceu-me impossível que tu pudesses fazer tantas maravilhas no coração dos teus filhos. Senhor, creio! Mas ajuda-me, para que creia mais e melhor!

“E dirigimos igualmente esta súplica a Santa Maria, Mãe de Deus e Mãe nossa, Mestra de fé: Bem-aventurada tu que creste, porque se cumprirão as coisas que da parte do Senhor te foram ditas (Lc 1, 45)”10.

(1) Mc 9, 13-28; (2) Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, n. 204; (3) cfr. São João Crisóstomo, Homilias sobre os Atos dos Apóstolos, 35; (4) Jo 7, 16-17; (5) cfr. Jo 5, 41-44; (6) cfr. Jo 8, 42-44; (7) Pio XII, Enc. Humani generis, 12-VIII-1950; (8) São Teófilo de Antioquia, Livro I, 2, 7; (9) cfr. São Beda, Comentário ao Evangelho de São Marcos; (10) Josemaría Escrivá, op. cit.



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