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TEMPO COMUM. TRIGÉSIMO TERCEIRO DOMINGO. CICLO A

82. RENDER PARA DEUS

– Administradores dos bens recebidos.

– A vida, um serviço alegre a Deus.

– Aproveitar bem o tempo.

I. NESTAS ÚLTIMAS SEMANAS do ano litúrgico, a liturgia da Igreja continua a animar-nos a considerar as verdades eternas. Verdades que devem ser de grande proveito para a nossa alma. Lemos na segunda Leitura da Missa1 que o Senhor virá como um ladrão durante a noite, inesperadamente. A morte, ainda que estejamos preparados, será sempre uma surpresa.

A vida na terra, como Jesus nos ensina no Evangelho2, é um tempo para administrarmos a herança do Senhor e assim ganharmos o Céu. Um homem que ia ausentar-se para longe chamou os seus servos e encarregou-os dos seus bens. E deu a um cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade, e partiu imediatamente. Conhecia bem os seus servos, e por isso não lhes confiou os seus bens por igual. Teria sido injusto responsabilizá-los a todos pela mesma quantia.

Passado algum tempo, o senhor voltou da sua viagem e pediu contas aos seus servidores. Os que tinham recebido cinco e dois talentos puderam devolver o dobro. Haviam aproveitado o tempo para fazer render os bens recebidos e tiveram a grande felicidade de ver a alegria do seu senhor; fizeram-se merecedores de um elogio e de um prêmio inesperado: Está bem, servo bom e fiel – disse o dono da herdade a cada um deles –, já que foste fiel em poucas coisas, dar-te-ei a intendência de muitas; entra no gozo do teu senhor.

O significado da parábola é claro. Nós somos os servos; os talentos são as condições com que Deus dotou cada um de nós (a inteligência, a capacidade de amar, de fazer os outros felizes, os bens temporais...); o tempo que dura a ausência do amo é a vida; o regresso inesperado, a morte; a prestação de contas, o juízo; entrar no gozo do senhor, o Céu. Não somos donos, mas – como o Senhor repete constantemente ao longo do Evangelho – administradores de uns bens dos quais teremos de prestar contas.

Hoje podemos examinar na presença de Deus se realmente temos mentalidade de administradores e não de donos absolutos, que podem dispor a seu bel-prazer do que possuem. Podemos indagar-nos sobre o uso que fazemos do nosso corpo e dos sentidos, da alma e das suas potências. Servem realmente para dar glória a Deus? Pensemos se fazemos o bem com os talentos recebidos: com os bens materiais, com a nossa capacidade de trabalho, com as amizades... O Senhor deseja ver o seu patrimônio bem administrado. O que Ele espera é proporcional àquilo que recebemos. Porque a todo aquele a quem muito foi dado, muito lhe será pedido, e a quem muito foi entregue, muito lhe será reclamado3.

Está bem, servo bom e fiel, já que foste fiel em poucas coisas, diz o Senhor àquele que recebeu cinco talentos. O “muito” – cinco talentos – que recebemos nesta vida é considerado “pouco” por Deus. Entrar no gozo do Senhor, isso é o muito...: Nem o olho viu, nem o ouvido ouviu, nem jamais passou pelo pensamento do homem o que Deus preparou para aqueles que o amam4. Vale a pena sermos fiéis aqui, enquanto aguardamos a chegada do Senhor, aproveitando este curto espaço de tempo com sentido de responsabilidade. Que alegria quando nos apresentarmos diante dEle com as mãos cheias! Olha, Senhor – dir-lhe-emos –, procurei fazer render os talentos que me deste. Não tive outro fim a não ser a tua glória.

II. MAS O QUE TINHA recebido um talento foi, cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. Quando este lhe pediu contas, tentou desculpar-se e arremeteu contra quem lhe tinha dado tudo o que possuía: Senhor, disse-lhe, sei que és um homem austero, que colhes onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste; por isso fiquei receoso e fui esconder o teu talento na terra; eis o que é teu.

Este último servo “revela-nos como é que o homem se comporta quando não vive uma fidelidade ativa em relação a Deus. Prevalecem o medo, a auto-estima, a afirmação do egoísmo que procura justificar a sua conduta com as injustas pretensões do amo, que deseja colher onde não semeou”5. Servo mau e preguiçoso, é como o senhor o chama ao ouvir as suas desculpas. Esqueceu uma verdade essencial: que “o homem foi criado para conhecer, amar e servir a Deus neste mundo e assim merecer a vida com o próprio Deus para sempre no céu”.

Quando se conhece a Deus, é fácil amá-lo e servi-lo. “Quando se ama, servir não só não é custoso nem humilhante: é um prazer. Uma pessoa que ama nunca considera uma humilhação ou indignidade servir o objeto do seu amor; nunca se sente humilhada por prestar-lhe serviços. Pois bem: o terceiro servo conhecia o seu senhor; pelo menos, tinha tantos motivos para conhecê-lo como os outros dois servidores. Contudo, é evidente que não o amava. E quando não se ama, custa muito servir”6. Este servo não só não gostava do seu senhor, como se atreveu a chamá-lo homem austero, que queria colher onde não tinha semeado. Não serviu o seu senhor porque lhe faltou amor.

O contrário da preguiça é justamente a diligência, uma palavra proveniente do verbo latino diligere, que significa amar, escolher depois de um estudo atento. O amor dá asas para servir a pessoa amada. A preguiça, fruto da falta de amor, leva a um desamor muito maior. Nesta parábola, o Senhor condena os que não desenvolvem os dons que Ele lhes deu e os que os empregam a serviço do seu comodismo pessoal, ao invés de servirem a Deus e aos seus irmãos os homens, num serviço de amor.

III. A NOSSA VIDA é breve. Por isso temos que aproveitá-la até o último instante para crescer no amor, no serviço a Deus. A Sagrada Escritura alerta-nos com freqüência para a brevidade da nossa existência aqui na terra. Ela é comparada à fumaça7, à sombra8, à passagem das nuvens9, ao nada10. Que pena se perdemos o tempo ou o empregamos mal, como se não tivesse valor!

“Que pena viver, praticando como ocupação a de matar o tempo, que é um tesouro de Deus! [...] Que tristeza não tirar proveito, autêntico rendimento, de todas as faculdades, poucas ou muitas, que Deus concedeu ao homem para que se dedique a servir as almas e a sociedade! Quando o cristão mata o seu tempo na terra, coloca-se em perigo de matar o seu Céu: quando por egoísmo se retrai, se esconde, se desinteressa”11.

Aproveitar o tempo é levar a cabo o que Deus quer que façamos em cada momento. Às vezes, aproveitar uma tarde será “perdê-la” aos pés da cama de um doente ou dedicando-a a um amigo para que se prepare para uma prova. Tê-la-emos perdido para os nossos planos, muitas vezes para o nosso comodismo, mas tê-la-emos ganho para essas pessoas necessitadas de ajuda ou de consolo e para a eternidade.

Aproveitar o tempo é viver plenamente o momento presente, empenhando a cabeça e o coração naquilo que fazemos, ainda que humanamente pareça ter pouca importância, sem nos preocuparmos excessivamente com o passado nem nos inquietarmos muito com o futuro. O Senhor advertiu-nos claramente: Não queirais andar inquietos pelo dia de amanhã. Porque o dia de amanhã cuidará de si; a cada dia basta o seu cuidado”12.

Viver plenamente o momento presente, de olhos postos em Deus, torna-nos mais eficazes e livra-nos de muitas ansiedades inúteis, que nada mais fazem do que paralisar-nos. Conta Santa Teresa de Ávila que ao chegar a Salamanca, acompanhada de outra freira, chamada Maria do Sacramento, para ali fundar um novo convento, encontrou uma casa desmantelada, da qual tinham desalojado uns estudantes algumas horas antes. As viajantes entraram na casa já de noite, exaustas e congeladas pelo frio. Os sinos da cidade dobravam a finados, pois era véspera do dia dos fiéis defuntos. Na escuridão, somente quebrada pela chama oscilante do candeeiro, as paredes enchiam-se de sombras inquietantes. Apesar de tudo, deitaram-se cedo sobre uns molhos de palha que tinham trazido com elas. Depois de se meterem naquelas camas improvisadas, Maria do Sacramento, cheia de grandes temores, disse à Santa:

“Madre, estou pensando que, se eu morresse agora, o que faríeis vós sozinha?”

“Aquilo, se viesse a acontecer, parecia-me coisa dura”, comentava anos mais tarde a Santa; “fez-me pensar um pouco nisso e mesmo chegar a ter medo, porque os corpos mortos sempre me enfraquecem o coração, ainda que não esteja sozinha”.

“E como o dobrar dos sinos ajudava, pois como disse era noite de almas, bom começo tinha o demônio para fazer-nos perder o pensamento com ninharias.

“Irmã – disse-lhe –, se isso acontecer, então pensarei no que fazer; agora deixe-me dormir”13.

Em muitas ocasiões, quando nos assaltarem preocupações sobre acontecimentos futuros que nos roubem a paz ou o tempo, e em relação aos quais nada possamos fazer no momento presente, será muito útil dizermos, como a Santa: “Se isso acontecer, então pensarei no que fazer”. Então contaremos com a graça de Deus para santificar o que Ele dispõe ou permite.

Quando uma vida chega ao seu fim, não podemos pensar só numa vela que se consumiu, mas numa tapeçaria que se acabou de tecer. Tapeçaria que nós vemos pelo avesso, cheio de fios soltos e em que só se pode observar uma figura sem contornos. O nosso Pai-Deus contemplá-la-á pelo lado certo, e sorrirá e ficará feliz com a obra acabada, resultado de termos aproveitado bem o tempo todos os dias, hora a hora, minuto a minuto.

(1) 1 Tess 5, 1-6; (2) Mt 25, 14-30; (3) Lc 12, 48; (4) 1 Cor 2, 9; (5) João Paulo II, Homilia, 18.11.84; (6) Federico Suárez, Después, pág. 144; (7) cfr. Sab 2, 2; (8) cfr. Sl 143, 4; (9) cfr. Jó 14, 2; 37, 2; Ti 1, 10; (10) cfr. Sl 38, 6; (11) Bem-aventurado Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, n. 46; (12) Mt 6, 34; (13) Marcelle Auclair, La vida de Santa Teresa de Jesus, págs. 238-239.

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